multiplicity

2014/01/30

虫の写真。面白かった。Aracnopictures. Great picture work!

30/01/2013

夢写真。

このページは面白いです。たくさん夢写真がある。

夢写真

Nipo-Brazilian association – Sao Carlos, Sao Paulo, Brazil

05/05/2012 – Tristeza

Dizem que tudo é impermanente, que nossos corpos serão transformados e em algum tempo nada mais restará daquilo que foi um ser, embora algo permaneça e se transforme, dotando outro conjunto de matéria de energia.

Dizem que tudo na vida passa, que a dor se transforma em alegria, bastando a mudança de perspectiva, e o passar do tempo.
Dizem que basta seguir em frente, viver cada dia a mais, ou a menos; que tudo não é senão aprendizado, momento vivido e aprendido, mudança…
Dizem também que o que fica, se fica, é algo importante e merece ser meditado.
Mas hoje estou triste, e não me ocorre nem pensar, nem  meditar, nem esperar, nem estar.
Hoje só queria que não houvesse o hoje.
Ah tempo de outrora de outrora, quem me dera viver-te não como uma memória, mas como realidade – e sempre há várias – como algo real, que eu fizesse e não ficasse mais a esperar o tempo que não volta mais.

14/03/2012 – Caminho

 

Imagino que a vida seja um pouco assim, como um caminho, cada passo dado ora por meio do desejo, ora por meio do aprendizado. Quando se inicia, não se sabe onde vai dar. Tem ideia do inicio, mas o fim, se chegar, não se sabe ao caminhar. Folhas caídas, pessoas perdidas, amores encontrados – e, às vezes, reencontrados. E cada qual vai indo, caminhando, se tornando. Às vezes chega em algum lugar, uma estalagem, um regato, um abraço. E assim, viver cada momento como se ultimo fosse, como uma respiração tranquila.

04-06 de junho – Ao amigo que se foi

Saudações, caro amigo. Espero que esteja bem hoje, e feliz. Desculpe-me pelo envio desta mensagem um pouco tardia. Sentimos muito sua falta neste lugar em que nos deixou, e é triste pensar que demorará um pouco para voltarmos a nos falar porque a vida quis que voltasse para casa mais cedo. Paciência. 

Apenas gostaria que soubesse que aguardamos o momento do reencontro. Despeço-me com gratidão pela sorte de ter aprendido com você.


23/05/2011 – Pequena meditação

Que eu tenha a humildade de compreender que todas as formas de vida são importantes; em relação ao meu ponto de vista, da menor à maior, que eu releve todas as relações que depreendem de seu desenvolvimento, e as respeite em suas manifestações. Que eu me atente ao menor indicio da existência; e que nele consiga meditar mesmo que, do ponto de vista das outras existências, tal meditação seja irrelevante. Que possa ver a beleza que se me apresenta; e agradeça a cada momento pela oportunidade de contemplá-la.

29/01/2011- Sobre o ki

Em uma pescaria, à beira de uma lagoa, percebo a manifestação do ki nos seres que existem.

Munido com minha vara de pesca, travo combate com um peixe. Depois de certo tempo, e após tê-lo capturado, agradeci dizendo-lhe que iria libertá-lo daquela existência. E me retirei do lago.

Momento a seguir tive de abrir seu pequeno corpo, uma vez que me foi assim ensinado. Ao fazê-lo e passados alguns minutos, seu corpo se debatia ainda; e refleti sobre a existência da energia que mantém os seres vivos. Todos os seres.  E compreendi o conceito de ki e que pode ser ampliado ao longo da existência.

Por um instante me arrependo por não tê-lo soltado; e penso que ainda o encontrarei.

29/10/2010 – Ideias sobre ideias

Por que é tão difícil as pessoas entenderem que seria necessário e meramente suficiente manter alguma proporção entre palavra e ato? Por que é que aqueles que conseguem manter alguma relação – seja esse termo ‘relação’ a variável que realmente importa no caso – de simetria entre discurso e ação conseguem respeito? Reflito que Louis Dumont não devaneia tanto quanto diz que a ideologia ‘moderna’ separa fato e valor.

Bom seria se aqueles que se advogam o direito posicional no coletivo refletissem sobre a possibilidade, ainda que remota, de associar esses termos e variáveis.

20-30/08/2010 – Encontro-me caminhando por uma longa estrada, quando sou surpreendido por um reduto de tranquilidade ao chegar a um refúgio quase esquecido no meio da floresta. Sento-me ao lado de um regato de agua e me deparo com a translucidez ao olhar para o fundo do leito. Pouco tempo depois, um desconhecido convida-me para tomar chá em sua residência, que distava poucos metros de onde me encontrava. Agradeço-lhe com um aceno de cabeça e o acompanho pelo trajeto e penso: em que hei de pensar? Reflito sobre isso um instante e apenas prossigo apreciando o trajeto curto mas indescritivelmente denso de vida. Orquideas se somam, musgos vicejam pelo caminho, serpenteados por arvores antigas; sim, porque é perfeitamente possível às arvores serpentearem, ao invés dos musgos.

Chegados à singela ermida, sento-me no lugar apontado por meu anfitrião. Com um quê de rito há longo repetido indefinidas vezes, sou servido com uma chávena de chá. Olho para o fundo do recipiente com a cabeça ereta e o olhar a procurar algo a tempo perdido, tempo sem sentido, a por cabelos brancos e preocupações nos seres humanos que existem, ainda.

O homem que me serviu olha-me como adivinhando o tempo que perdi ou que deixei que outros me fizessem perder; e com ar trocista, diz-me que neste momento nada deve passar pela cabeça. Nada importa. Nem o antes. Nem o depois. Nem o agora; apenas diz: – um  encontro, uma vida. O silencio que se seguiu me fez pensar, embora essa não seja a palavra adequada para a ação de apenas estar ali; é perfeitamente possível simplesmente estar em algum lugar sem ter nada a pensar.

Tomo consciência do riacho correndo tranquilamente logo abaixo de onde nos encontramos. Os matizes infinitos de verde das arvores, plantas, musgos, gramíneas; orquídeas e insetos e pássaros que também estão por esse instante ali. Uma brisa suave que corre ao longo do leito do riacho. A chávena, como uma unidade metafórica de tudo isso, indica a serenidade deste momento. Do único momento. Apenas respiro o vapor delicado do chá.  Sinto-me como se todos os seres atravessassem o espaço no qual por acaso me encontrava. Uma série de linhas que se conectavam naquele instante embora cada qual com seu próprio vir a ser.

Ficaria mais tempo. Mas tinha de seguir viagem. Agradeci então ao meu anfitrião pelo chá. O silencio que se seguiu encheu-me de gratidão para com o singelo desconhecido – como se tivéssemos conversado por toda uma vida. Logo sigo meu caminho em silêncio, exatamente como tivera momento antes chegado até ali.

08-10/08/2010 – Multiplicidade arborescente

A árvore – ou melhor seria dizer a multiplicidade arborescente – é ar, energia vital, força. Coleções de mortes de outrem. Vidas singularizadas. O que dizer da árvore senão que o tempo não importa? Da árvore fica a lembrança, mesmo quando ainda não está plantada. Saussure diz que quando se diz ‘árvore’, à imagem acústica desliza o conceito. Multiplicidades de multiplicidades. O que da árvore fica ao teórico? Imagem tempo, tempo vivido, vida sem finalidade ou finalidade sem vida.

O homem já não pode com o devir árvore. É do homem o tornar-se máquina. Conexão de conexões. À arvore cabe o tempo. Ao homem, a morte. Esse é o devir predileto do homem. Valeria a pena saber o que do homem fica à arvore.

‘A Cesar o que é de Cesar’.


05/08/2010- Esgrimir

O mestre Kimura lança o seguinte kōan sobre a esgrima japonesa, dizendo que o kenshi deve operar a espada como se usasse um hashi. A esgrima pode ser Como a água, como o fogo, como o vento. Pode também ser clara ou escura, quando se mostra ou se esconde de acordo com a estratégia do esgrimista. Pode ser leve ou pesada. Forte ou fraca. Pode se embasar na unidade buscando ao menos o dois ou o três ou pode principiar pelo três [ou pelo dois], buscando tornar-se um; no Kendō é conhecido o problema da unidade do três.

Se há solução para o kōan, imagino que ela passe pela consideração desses princípios.

04/08/2010 – Sobre o olhar

1-Os antigos dizem que o conhecimento de si é o mais difícil de obter.  Isso pressupõe o olhar e o caminho.

1.1- O olhar para si é uma perspectiva.

1.1.2- Perspectiva contém ao menos uma linha de fuga.

1.2- Ver-se pelos olhos de outrem é uma variação da perspectiva.

1.2.1- A perspectiva adotada torna-se o caminho.

01/07/2010- Sobre o vazio [1]

1- O vazio é a ausência de tudo – o nada. Só conhecendo o que não existe pode-se conhecer o que existe; e a partir do que existe pode-se conceber o que não existe.

1.2 – Se conheço algo, conheço também todas as possibilidades de sua atualização em estados sucedâneos.

1.2.1 – Se desconheço algo, mas se me é dado observar uma de suas atualizações, a possibilidade de conhecê-lo torna-se um atual.

1.3– O vazio é. O ser torna-se.

1.3.1– O vazio é o plano para o ente.

1.4– O vazio é o multiverso para qualquer ontologia.

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