剣道について

31/01/2015

Kendo Kata. 全日本剣道形。

Source – here.

1 – Ipponme
Uchi Dachi : Tachi – Hidari Jodan
Shi Dachi : Tachi – Migi Jodan
Waza : Men Nuki Men
Contact des armes : Non

Uchi Dachi [left] Shi Dachi [right]

 

2 – Nihonme
Uchi Dachi : Tachi – Chudan
Shi Dachi : Tachi – Chudan
Waza : Kote Nuki Kote
Contact des armes : Non

 

3 – Sanbonme
Uchi Dachi : Tachi – Gedan
Shi Dachi : Tachi – Gedan
Waza : Tsuki Nayashi Tsuki
Contact des armes : Oui

 

4 – Yohonme
Uchi Dachi : Tachi – Hasso
Shi Dachi : Tachi – Wakigamae
Waza : Tsuki Kaeshi Men
Contact des armes : Oui

 

5 – Gohonme
Uchi Dachi : Tachi – Hidari Jodan
Shi Dachi : Tachi – Chudan
Waza : Men Suriage Men
Contact des armes : Oui

 

6 – Ropponme
Uchi Dachi : Tachi – Chudan
Shi Dachi : Tachi – Gedan
Waza : Kote Suriage Kote
Contact des armes : Oui

 

7 – Nanahonme
Uchi Dachi : Tachi – Chudan
Shi Dachi : Tachi – Chudan
Waza : Men Nuki Do
Contact des armes : Non

 

8 – Happonme ou Kodachi Ipponme
Uchi Dachi : Tachi – Hidari Jodan
Shi Dachi : Kodachi – Hanmi Chudan
Waza : Men Ukenagashi Men (Migi)
Contact des armes : Oui

 

9 – Kyuhonme ou Kodachi Nihonme
Uchi Dachi : Tachi – Gedan
Shi Dachi : Kodachi – Hanmi Chudan
Waza : Men Ukenagashi Men (Hidari)
Contact des armes : Oui

 

10 – Jupponme ou Kodachi Sanbonme
Uch Dachi : Tachi – Chudan
Shi Dachi : Kodachi – Hanmi Gedan
Waza : Men Suriage et Suriotoshi, Do Surinagashi et Surikomi
Contact des armes : Oui

 

29/01/2013

なでしこ流を解く 日本が勝つための方程式 (5)A・ベネ

ットさん 強く 礼儀正しく

05/10/2010 – Kendo numa casca de noz

O início ‘mítico’ do Kendo está atrelado ao surgimento da katana, evidentemente. De acordo com a Federação Internacional de Kendo[i], a espada japonesa emerge na metade do 11º Século tomando por referência a historiografia européia.

The Japanese sword that emerged in the middle of the 11th Century (middle of the Heian Era [794-1185] had a slightly arched blade with raised ridges (called Shinogi).  Its original model was presumably handled by a tribe that specialized in cavalry battles in northern Japan during the 9th century.  Since then, this sword was used by the Samurai and production technology advanced rapidly during the period of early Samurai-government reign (end of the Kamakura Era in the 13th Century).  In this manner, it is not an exaggeration to say that both its wielding techniques using Shinogi which produced the expression of Shinogi-wo-kezuru, engaging in fierce competition and the Japanese sword were Japanese born products. After the Onin War occurred in the latter half of the Muromachi Era (1392-1573), Japan experienced anarchy for a hundred years.  During this time, many schools of Kenjutsu were established. In 1543, firearms were brought to Tanegashima (Island located off the southern tip of Japan).  The Japanese sword was made using the Tatarafuki casting method with high quality iron sand obtained from the riverbed.  However, it did not take long before large quantities of firearms were made successfully using this high quality iron sand and the same casting method to produce swords.  As a result, the heavy-armored battling style that prevailed up to then changed dramatically to a lighter hand-to-hand battling style.  Actual battling experiences resulted in advanced development and specialization of sword-smithing as well as the establishment of more refined sword-handling techniques and skills that have been handed down to the present through the various schools such as the Shinkage-ryu and Itto-ryu.
 

A sistematização das técnicas no manejo da espada no Japão de acordo com alguns documentos (DONOHUE&SWEENEY et al: 1999; OZAWA& YAMAGUCHI et al: 1997) se processa com o desenvolvimento continuo das técnicas de guerra no período Muromachi [1392-1573]. De acordo com outras[ii] (TURNBULL: 2006) e  (TOKESHI: 2003) o desenvolvimento das técnicas de utilização da espada são mais antigas, gerando escolas e parâmetros técnicos variados. Levando em consideração nosso objetivo inicial, basta argumentar que o período Muromachi – denominado de “Época das províncias beligerantes”[iii] – foi o marco na profusão de escolas de esgrima, avanços consideráveis na forja (OTTAIANO: 1987) e demais técnicas de manipulação da espada japonesa, ocasionadas pelas guerras internas-externas aos feudos.

Retomando as informações da Federação Internacional de Kendo, na Época Edo [governo dos shogun Tokugawa 1603-1867], estabelece-se as condições propícias para o seu florescimento por uma razão fundamental – Tokugawa elimina os seus opositores e consegue unificar o Japão durante o Século XVII.

Ora, o samurai é um técnico no produzir ‘morte’ e, sem guerras, acaba ao longo dos séculos seguintes perdendo relativamente sua “função” numa maquinaria social estamental-hierárquia que prezava sua classe por esse produto específico[iv]. Não obstante, o que fazer e como se valer de seus serviços era questão importante.

Japan began to experience a relatively peaceful period from the beginning of the Edo Era (1603-1867).  During this time, techniques of the Ken (the Japanese sword) were converted from techniques of killing people to one of developing the person through concepts such as the Katsunin-ken which included not only theories on strong swordsmanship, but also concepts of a disciplinary life-style of the Samurai.  These ideas were compiled in books elaborating on the art of warfare in the early Edo Era.  Examples of these include:  “Heiho Kadensho (The Life-giving Sword)” by Yagyu Munenori; “Fudochi Shinmyoroku (The Unfettered Mind )” by Priest Takuan which was a written interpretation of Yagyu Munenori’sKen to Zen (Sword and Zen)” written for Tokugawa Iemitsu, Third Shogunate for the Tokugawa Government; and “Gorin-no-sho (The Book of Five Rings)” by Miyamoto Musashi. Many other books on theories of swordsmanship were published during the middle and latter half of the Edo Era.  Many of these writings have become classics and influence many Kendo practitioners today.
 

O Kendo toma contornos ‘organizados’ durante o século 18, com a introdução de equipamentos de proteção, sintetizado no termo bogu e na utilização de shinai[v]; um dos responsáveis por esse início de rotação de perspectiva foi Nakanishi Chuzokotake da escola Itto-Ryu – Era HOREKI, 1751-1764 – que iniciou um método de treinamento com mascara de ferro e protetores corporais feitos de bambu (YAMAMOTO, Y: 2008),  (RATTI&WESTBROOK: 1991) e com a utilização da espada de bambu. A utilização desses equipamentos é um marco no desenvolvimento do Kendo, embora seja difícil precisar o momento de sua aparição, uma vez que cada escola de esgrima tinha autonomia em sua prática e no adotar a utilização desse material ou não. Sua utilização era controvertida em um ponto, e secreta em outro. Sobre o primeiro, Musashi faz críticas à utilização de espadas de bambu, por achar que não eram dignas de verdadeiros guerreiros e “verdadeiro guerreiro” quer dizer aquele que está apto e pronto para a morte (MUSASHI: 2002); (YOSHIKAWA: 1999); (SCOTT WILSON: 2006); (YAMAMOTO TSUNETOMO: 2004). Sobre o segundo, por se tratar de técnicas eficazes de ‘morte’, era evidente o interesse em que esse conhecimento se disseminasse apenas endo-feudo, e notadamente dentro das fortificações e a poucos iniciados, além de que a forma de transmissão dessa ‘tecnologia’ seguia o padrão mestre-aprendiz envolvendo no geral uma transmissão familiar.

Com o advento do período Tokugawa (1603), uma calmaria relativa se instalou no Japão e foi conseguida através do sangue derrubado nos campos de batalha nas guerras civis que se seguiram aproximadamente nos anos de 1500-1600. No Séc. XVII no Japão houve uma unificação do país em torno do Shogun, ou chefe militar; uma série de leis e prescrições garantiu essa “paz” [vi] que perdurou 250 anos. Como um dos reflexos, diversos ‘técnicos das artes de morte’ foram destituídos de suas funções e viram-se obrigados a se desenvolver em outros campos, notadamente com uma ênfase na estética e ‘valores espirituais’ em detrimento do produto-morte. É o caso de Musashi ([1584-1645]: 2002); Daidoji Yusan ([1639-1730]: 2006); Takuan Soho[vii] ([1573-1645]: 2003). São livros que versam sobre a estratégia, o espírito ou atitude mental, a morte, a esgrima e o código de honra dos samurais e que são interessantes justamente por serem trabalhos que se situam em um período que classificado como ‘pacífico’ é simplificar a questão. Reorienta-se o plano de morte de uma escala ampla a outra diminuta, centrada no sujeito do enunciado, em um devir morte, cuja atualização dependia de qual dispositivo estava a operar.

Tokugawa eliminou todos os principais adversários chefes de clãs rivais e unificou o Japão[viii]. Esse período se inicia com a batalha de Sekigahara [1600] e a ascensão de Tokugawa Ieyasu em 1603 e é tomado como declinante em termos de conflitos de ampla escala[ix], mas também como um florescimento sem precedentes nas artes marciais. Durante os 250 que se seguiram ao domínio do Bakufu Tokugawa, escolas marciais (bugei-ryūha) chegaram a 700 (BENETTI, 2005).

A restauração Meiji

Diversos pesquisadores apontam como motor de mudanças profundas no Japão a chegada em 1853 dos “Black Ships” do Comodoro Perry, marcando o fim do shogunato e a restituição do poder executivo ao imperador poucos anos depois. É difícil imaginar que o Japão, afeito às artes de guerra, se desse por vencido pela chegada de uma esquadra estrangeira. Ora, a mudança de orientação foi endógena, envolvendo uma série de transformações e trocas constantes com outros territórios De acordo com (TURNBULL: 2006, P.143-166), o Japão sempre fizera trocas com os territórios continentais – entre eles, a China e a Coréia – embora essas trocas fossem efetuadas pelo expediente da guerra, no mais das vezes. Mas envolvia também uma diplomacia, no caso do comércio [de seda e especiarias diversas] e da própria importação da linguagem escrita, conforme apontamos alhures. Em especial, ver o artigo de Berreman (1944)[x] que trata da “Japanisation” de diversos territórios da Ásia, ou seja, seu movimento inverso.

Não obstante, se tomarmos o contexto analisado para o caso do Kendo como um modo de interpretação coerente, poderia dizer que para o Japão a ‘guerra’ [e suas atualizações] não é ausência de troca, podendo ser pensada como uma forma de se ‘dialogar’ em caráter amplo e que passa por uma dimensão de enquadramento outrem mediante uma série de escalonamentos progressivos. Neste sentido, a questão da abertura foi estratégica, e tática. O ‘Japão’[xi] lidou a “diferença” desde que pudesse enquadrá-la numa dada chave hierárquica interna. Para detalhes sobre a longa discussão sobre o “nacionalismo” japonês desenrolado entre 1868-1945, ver (DEZEM: 2005), muito embora tal autor lide com a construção de um imaginário [Nacionalista-Brasileiro] que oscilava entre cooptar o japonês-Estado para compor a mão-de-obra para a lavoura[s] em alguns estados da federação e em outro extremo a negação de considerar tal possibilidade. Porém, neste trabalho nota-se a repercussão das guerras japonesas no Brasil, donde se deduz uma leitura e, em suma, o que estava por trás da anexação de territórios continentais e as guerras que se seguiram neste período [guerra Sino-Japonesa 1894-95; guerra Russo-Japonesa 1904-05] tinham como objetivo “dar a devida posição do Japão ao mundo civilizado”. Essa proposição, melhor escrita poderia ser: dar a devida posição dos outros países a uma hierarquia interna ao Japão e atualizada ao mundo. O que, na perspectiva de meu esquema interpretativo, pode ser chamada de ‘hierarquia nipônica de diferencial’.

Voltemos um pouco. Esse aparente ‘isolamento’ – ao menos do ponto de vista de conhecimento e contato com armas de fogo em ampla escala antes do século XIX – possibilitou às artes marciais um lapso de tempo considerável para um desenvolvimento ritualizado[xii], mas sua utilização ‘prática’ acabou em relativo descrédito (TURNBULL: 2006, P.191-206) visto uma dada relação que se apresentou em sua idiossincrática novidade com uma tecnologia de morte que de fato era desconhecida: armas de tiro rápido, gatlings e canhões de alto calibre e cadência, e a formação-manutenção de um exército conscrito. Quando o Japão empreende tal reorientação em meados do Séc. XIX, mediante o envio de embaixadores a todo ‘mundo civilizado’ (TAKAHARU MITSUI: 1941)[xiii], há de se considerar que a reorientação fora motivada internamente. Dezem (2005, P. 121-160) afirma que essa Era [Meiji] foi nomeada de “espírito japonês com tecnologia ocidental”, mediante a educação das massas, armamento da nação e equiparação com o ocidente em termos de uma ‘moderna’ sociedade civil. Nesse sentido, a chegada de Perry foi apenas o designativo geral dado a um ‘desejo’, de conhecimento e que vinha se desenrolando em maior ou menor potência há 200 anos.

Kenjutsu, Gekken: sócio-gênese do Kendo

O termo Kenjutsu[xiv] é utilizado para se referir às modalidades de manejo da espada pré-1868 (GUTTMAN&THOMPSON: 2001, P.155-156)[xv]. O Kenjutsu vem a ser um conjunto de técnicas de esgrima que tem por meta a eficácia de ferir e/ou matar. Porém, diante das diversas transformações ocorridas no Japão no Séc. XIX começou a ser considerado uma tecnologia de morte representativa da hierarquia feudal ultrapassada e foi assim relegado ao domínio do ‘antiquado’ sem utilidade prática para a recém-emergente ‘moderna sociedade japonesa’ (BENETTI: 2004, P. 1)[xvi]. Os bushi rapidamente perdem seus privilégios[xvii] e o ‘the end’ aparece com a proibição do direito de portar o item definidor da personitude samurai: a katana[xviii]. Muitos daqueles que foram bushi de um dia para o outro se viram em um mundo de desemprego e pobreza. Com exceção de um número de guerreiros que foi capturado pelo novo governo em funções bélicas, administrativas e de ensino, outros se encontraram desempregados e um número amplo se viu na mais absoluta miséria.

In the midst of this social upheaval, those hit particularly hard were the bujutsu instructors in the employ of the Bakufu or domains, or who managed their own private dōjō in the cities. With no stipends any more, and no students in their dōjō, many subsisted from one day to the next not knowing where their next meal would come from. (BENETTI: 2004, P. 2)

Mas isso não implica que foi abandonado, muito pelo contrário. Com a abolição da academia militar Bakufu-Kōbusho em 1866 e com a dissolução dos Han, um imprevisto se observa: a partir de 1871, as artes marciais começam a ser organizadas e aplicadas em escolas, incluídas progressivamente como parte do currículo educacional japonês, que foi redesenhado em modelos ocidentais. Mas para que isso fosse possível, um longo caminho se desenrolou nos trinta anos seguintes.

Na década de 1870 mestres de diferentes estilos de Kenjutsu desenvolveram o Gekken (ataque com espada), uma modalidade de treino em que os praticantes utilizavam equipamentos de proteção e espadas de bambu para combater e, lembremos, foi uma atualização das antigas proteções e espadas de bambu utilizadas durante o período HOREKI [1751-1764]. Atribui-se como primeiro motor de popularização do Gekken um bushi de nome Sakakibara Kenkichi (BENETTI: 2004, P.2-4). A sua iniciativa baseou-se em demonstrações de combates performáticos conhecidos como “gekiken kōgyō”[xix].

O primeiro desses curiosos círculos marciais ocorreu em Asakusa no começo de Abril de 1873 e qualquer membro do ‘público’ poderia participar das lutas, sendo inclusive encorajado a isso, desde que pagasse uma pequena quantia para assistir ao ‘espetáculo’.  A atualização circense de Sakakibara foi recebida muito bem, visto que durante o período Edo, o Bujutsu[xx] era monopólio dos bushi, mas, a partir desse momento, a qualquer japonês comum foi dada a oportunidade para ver e participar de um combate – simulado, evidentemente – com um bushi. Ora, o que ocorreu em poucas palavras foi um processo de ‘exotização’ do comportamento dos antigos samurai, em uma atualização pautada no plano do mercado (MACHADO: 2003, 2004).

Do ponto de vista tecnológico o Gekken é considerado como uma atualização de transição entre o Kenjutsu e o Kendo estabelecido no Séc. XX em boa medida por se capilarizar na polícia e em 1887 começa a ser inserido de fato como instrumento importante na disciplinarização do dispositivo policial[xxi]. O relacionamento entre polícia e o Gekken-Kendo remonta a sócio-gênese do sistema policial. Quando Sakakibara organizou as primeiras demonstrações, tropas de esgrimistas-atores foram formadas e operavam demonstrações em variados locais do Japão. Não obstante, após o sucesso inicial, as autoridades japonesas proibiram as demonstrações por receio de que houvesse pessoas subversivas a conspirarem contra as medidas ocidentalizantes do governo. Mas o legalismo da prática foi estabelecido e as demonstrações rapidamente ganharam popularidade. Porém, com diferenças. A primeira foi a ampliação da capilaridade da prática. A segunda, e mais importante, serviu como um importante espaço de recrutamento para a força policial após a “rebelião” de Satsuma, chamada de ‘A Guerra do Sudoeste’, ocorrida em 1877[xxii]. O Comandante da Polícia Kawaji Toshiyoshi desenvolveu grande respeito em relação à divisão Battōtai que, armada com espadas, participou ativamente na batalha de Taharazaka (1877). Ele posteriormente descobriu o potencial do Bujutsu, em especial o Kenjutsu. Em 1879 publica o seu pensamento em um ensaio intitulado “Kenjutsu Saikō-ron”[xxiii] sobre o valor das artes marciais tradicionais, bem como a importância das tropas estarem bem treinadas e preparadas da mesma forma que os antigos guerreiros.

Isto forneceu um impulso para que fossem empregados alguns expoentes do Kenjutsu como instrutores para o treinamento dos recrutas. Em 19 de janeiro de 1880, foram estabelecidas diretrizes para a Academia de Polícia e foi estipulado que todos os cadetes deveriam ser instruídos no Kenjutsu. Devido a tas desdobramentos, as manifestações de gekken – em pleno funcionamento em todo o país – tornam-se alvo de observadores que iam a busca de prováveis candidatos para o ensino de Kenjutsu para a Keishichō. Visto que fora adotado pela polícia, continuou a ser desenvolvido e se tornou parte integrante nos treinamentos e na vida dos policiais. Para além das competições, o Keishichō teve participação ativa no aperfeiçoamento do Kenjutsu-Kendo, criando kata e também um sistema básico de classificação hierárquica. No que diz respeito à Keishichō kata é difícil determinar exatamente quando foram criadas, mas existem registros de uma demonstração praticada por administradores da Keishichō em 1886 – Keishichō Taikai Bujutsu[xxiv]. Benetti (Idem) sugere que eles foram finalizados em torno deste tempo e nomeados Keishichō-ryū[xxv], uma tradição que é praticada por alguns membros da Polícia Metropolitana de Tóquio ainda hoje. O Keishichō teve um sistema próprio de graduação a partir de 1885, no qual exames eram realizados para avaliar o nível técnico dos policiais a quem eles atribuíram um adequado kyū. A Dai Nihon Butokukai (ver abaixo) mais tarde também criou um sistema de classificação baseado em Dan para Kendo e Judo em março de 1917 – em boa parte com referência a este sistema primário – mas o Keishichō operou com seu próprio sistema de graduação. Quando o Keishichō-Kendo foi atualizado em 11 de Novembro de 1953 depois da proibição imposta pelo Comando Aliado de Ocupação, novas regras foram arquitetadas pela All Japan Kendo Federation implicando em que as graduações efetuadas pela Keishicho perdessem seu uso após 70 anos.

Dai Nihon Butokukai

O ano de 1895 marca o milésimo centésimo aniversário de Kyoto como Capital Oeste do Japão. Entrementes, em comemoração a isso e com o crescente fervor nacionalista no Japão[xxvi], a Dai Nihon Butokukai [xxvii] é estabelecida no ano de 1895 em Kyoto, sob a autoridade do Ministro da Educação e com endosso do imperador Meiji. Os objetivos dessa instituição foram promover e padronizar a oferta de disciplinas marciais e estendê-las a toda a nação, gerando uma grande popularização das artes marciais nas escolas como efeito direto. Em 1902 foi criado um sistema de premiações para indicar as pessoas que tinham trabalhado para popularizar o Budō [xxviii] e em 1905 uma divisão foi estabelecida para fornecer treinamento aos instrutores de bujutsu. O sistema foi revisto várias vezes e em 1911 a Butoku Gakko[xxix] foi formada e veio a se tornar a conhecida Bujutsu Senmon Gakkō[xxx] em 1912; pouco depois transformou-se na Budō Senmon Gakko em 1919 quando o termo bujutsu foi oficialmente atualizado-metamorfoseado em Budō para enfatizar o “caminho” marcial ou os aspectos ‘espirituais’ da prática dessa tecnologia. Assim, o Butokukai foi uma instituição instrumental na promoção do Budō através da premiação de personalidades eminentes, investindo na formação de professores e realizando eventos especiais e torneios. O Budō Senmon Gakkō (Busen como ficou conhecido), juntamente com o Tōkyō Kōtō Shihan Gakkō[xxxi] formaram quadros de jovens instrutores que seriam destacados e alocados em escolas ao longo de todo o país para ensinar às crianças as artes marciais. Mas isso foi o vetor de chegada, pois o caminho de aceite das artes marciais no currículo escolar foi longo e complicado.

Nos anos 1870 certo número de funcionários governamentais expressou preocupações contra a ‘ocidentalização’ do sistema de ensino, e buscaram reter certos aspectos ‘nipônicos’ no currículo escolar (BENETTI: 2004, P. 6). Este foi especialmente o caso do currículo de educação física que foi fortemente influenciado pela ginástica ocidental e foi objeto de escrutínio contínuo pelos funcionários governamentais. Alguns levantaram a questão estratégica de negação da plasmagem da ginástica ocidental nas escolas japonesas e, por sua vez, não seria possível desenvolver o currículo de educação física baseado no Bujutsu tradicional?

Na consideração dos potenciais benefícios e perigos de sua implementação nas escolas, o Ministério da Educação sugeriu uma série de investigações oficiais. Em 1883 um levantamento foi levado a termo pelo Instituto Nacional de Ginástica – Taisō Denshūjo – e, em 1896, pela Escola de Saúde – Gakkō Eisei Komonkai (BENETTI: 2004, P. 6-7; JOURNAL OF COMBATIVE SPORTS, Dec. 2002: “Documentation Regarding the Budo Kan in Japan”)[xxxii]. Em resumo, o inquérito de 1883 forneceu os seguintes pontos para consideração:

  • POSITIVOS





     

    1. Um meio eficaz de reforçar o desenvolvimento físico.
    2. Desenvolve resistência.
    3. Estimula o espírito e a moral.
    4. Expurga a pusilanimidade e a substitui por determinação.
    5. Arma o praticante com técnicas de auto-defesa em momentos de perigo.
  • NEGATIVOS





     

    1. Pode causar desequilíbrio no desenvolvimento físico.
    2. Sempre existe perigo potencial nos treinamentos.
    3. Dificuldade em determinar o grau adequado de exercício, uma vez que os estudantes fisicamente mais fortes devem treinar juntamente com os mais fracos.
    4. Poderia encorajar comportamento violento devido ao fortalecimento do espírito.
    5. Exponenciação da vontade de lutar que poderá redundar em uma atitude de vitória a todo o custo.
    6. Existência de risco de encorajar um senso deformado de competitividade, na medida em que a criança poderia recorrer a táticas desonestas.
    7. Dificuldade em manter uma metodologia de instrução unificada em razão do grande número de estudantes.
    8. Necessidade de uma grande área para conduzir os treinamentos.
    9.Mesmo que apenas exigisse um jujutsu Keiko-gi (roupa de treino), no geral o Bujutsu-Kenjutsu requer o uso de armaduras e outros equipamentos especiais, o que seria dispendioso e de difícil manutenção.

Portanto, a conclusão a que se chegou foi que a inserção do Bujutsu seria inadequada para o currículo escolar. Por outro lado, reconheceu-se que poderia se tornar benéfico desde que participasse como atividade paralela na complementação dos conhecimentos corporais e em sua conhecida ênfase no campo espiritual. O inquérito do segundo grupo resultou em conclusões semelhantes, mas eles sugeriram que o Bujutsu poderia ser ensinado nas escolas como uma atividade extra-curricular para os rapazes maiores de 16 anos que estivessem em bom estado de saúde. Outro grande problema a ser solucionado foi o fato de que não existia método estabelecido para o ensino em grupos extensos, uma vez que tradicionalmente as artes marciais eram aprendidas, desenvolvidas e ensinadas mediante transmissão tutelar. No ‘moderno ambiente educativo’ isso era praticamente impossível.

Após a Guerra Sino-Japonesa, educadores tentaram resolver estes problemas através do desenvolvimento de uma forma de ginástica utilizando técnicas marciais. A idéia logo se alastrou e muitas escolas no Japão permitiram aos alunos que participassem desses recém-desenvolvidos exercícios utilizando Bokutō ou Naginata[xxxiii]. Um dos principais idealizadores do sistema foi Ozawa Unosuke, afirmando que o seu objetivo no desenvolver as técnicas do bujutsu era duplo: como instrumento para a educação dos jovens, e para ser utilizado por pessoas de todas as idades “cultivando uma nação de pessoas saudáveis por meios não inferiores aos das nações ocidentais.” (BENETTI: 2004, P. 7). Como uma atividade curricular esses exercícios seriam um meio eficaz de fomentar a adaptabilidade física e, como uma atividade extra-curricular, uma forma de exercício recreativo que incentivaria a disciplina física geral e o bem-estar. Além de Ozawa, Nakajima Kenzō adaptou um sistema de ginástica baseado nos exercícios físicos do Bujutsu. Há de se salientar que Kenzō tinha estudado o Naginata na tradição Jikishinkage-ryū na sua infância. Desconhece-se se Ozawa e Nakajima colaboraram mutuamente; no entanto, os esforços de ambos foram reconhecidos e disseminados ao longo do território japonês com seminários educativos em várias localidades. Porém, como tudo e todos, foram alvejados por críticas. As razões para oposição foram variadas, mas as críticas mais comuns centraram-se em que as técnicas utilizadas eram irrealistas e ineficazes, carecendo de referências. Muitos não puderam ver a diferença entre esta e qualquer outra forma de exercício com bastão. Apesar das críticas ao Bujutsu-taisō, foi comprovado que poderia ser praticado e ensinado em grupos com relativa facilidade, sem a necessidade de grandes espaços e sem equipamentos caros, ao contrário da consideração anterior. Nesta perspectiva, é justo afirmar que esses educadores tiveram um profundo efeito sobre a maneira como a metodologia de instrução para iniciantes foi posteriormente desenvolvida.

Em 1911, quando foi finalmente aceito no currículo escolar oficial como uma atividade eletiva e em 1913, quando obtém a chancela do Ministério da Educação que emite o Programa Escolar de Ginástica – Gakko Taisō Kyōju Yōmoku – esse currículo prescrevia uma abordagem de ginástica referindo-se às tendências adotadas na Grã-Bretanha, América do Norte e na Escandinávia. Como não poderia deixar de ser, as críticas sobre a iniciativa Bujutsu-taisō como nada mais do que “exercícios com paus” continuaram, embora não seja exatamente justa. Não obstante, o interessante em se notar é a influência que a ‘ginástica ocidental’ exerceu sobre o desenvolvimento do Bujutsu-taisō e, em seguida, na metodologia de ensino unificado das artes marciais. Este ponto é singularmente fascinante quando se leva em consideração a moderna retórica alegando que o Kendo é uma “tradicional arte cultural japonesa”. É caso para se perguntar – em certo sentido – o que precisamente “tradicional” significa neste contexto e em outro, será que o ‘Japão’ fora tão refratário ao “Ocidente” quanto dizem?

Kenjutsu, Kata e Kendo

Visto que o Kenjutsu fora adotado nas escolas, problemas surgiram e demandaram resolução. Em uma tentativa de unificar tal prática em um corpo coeso-coerente – existiam diversas tradições e tecnologias variadas – visando algo que transcendesse a filiação a uma escola específica, a instituição Butokukai decidira por desenvolver um conjunto universal de kata (formas prescritas padronizadas) que poderia ser praticada por qualquer pessoa independentemente de vinculação a qualquer arte marcial. De acordo com os objetivos da instituição, essa seria a melhor forma de divulgar a prática, capilarizando-a, e firmar controle sobre a sua difusão nacional. Watanabe Noboru presidiu a primeira comissão formada com esse propósito. Em 1906 apresentou o resultado na síntese do desenvolvimento de três kata: Jōdan, Chūdan, e Gedan[xxxiv]. Não obstante, houve oposição ferrenha a essa primeira forma pela sua aparente arbitrariedade e sem levar em conta um estudo exaustivo das variadas formas de esgrima existentes. A questão tornou-se mais urgente quando foi confirmado o Kenjutsu como parte integrante do currículo de Educação Física em 1911.

Por sua vez a Butokukai reformulou o comitê para desenvolver o conjunto unificado de kata que se esperava efetivo e de disseminação nacional. Cinco mestres de Kenjutsu de diferentes Ryuha[xxxv] tomaram esta responsabilidade[xxxvi]. Em 1912 apresentaram o Dai Nippon Teikoku Kendō Kata[xxxvii], que consistiu em sete kata do tachi[xxxviii] versus tachi, e três kata do tachi versus kodachi. Evidentemente que sofreram modificações ao longo dos anos, pois se trata de uma linguagem corporal e, como tal, se atualiza, mas essencialmente constitui-se nos mesmos princípios e formas que os atuais praticantes executam sob o nome: Nihon-Kendo-Kata[xxxix].

Abaixo o kata com Takano Sasaburō como Uchidachi.

Em certa medida pelo desenvolvimento dos kata e pela mobilização em torno de tal propósito, atribui-se um termo-conceito que guarde em si a potência de sintetizar a inclinação de singularizar a multiplicidade de correntes, escolas, técnicas; e esse ‘conceito’ passa a ser “Kendo”.

In the First Year of Taisho (1912), the Dai-Nippon Teikoku Kendo Kata (later renamed to Nippon Kendo Kata) was established using the word Kendo. The establishment of the Kendo Kata provided for the unification of many schools to enable them to pass on to later generations the techniques and spirit of the Japanese sword, and to remedy improper use of hands which had been caused by bamboo sword training and to correct inaccurate strikes which were not at the right angle to the opponent. It was thought that the Shinai (bamboo sword) was to be treated as an alternative of the Japanese sword. And, in the Eighth Year of Taisho (1919), Nishikubo Hiromichi consolidated the original objectives of Bu (or in other words Samurai) under the names of Budo and Kendo since they conformed to them. (FIK- Acesso em Novembro 2008)

Segunda-Guerra: repercussões

Depois da derrota japonesa na Segunda Guerra Mundial, as artes marciais foram proibidas pelas forças de ocupação aliadas por incutir potencialmente um fervor nacionalista nos praticantes e, mais importante, por oferecer condições propícias para um conhecimento de uma tecnologia de morte e por possibilitar espaços de recrutamento e doutrinação. Um bom resumo da “leitura” estadunidense sobre o Kendo e outras artes marciais pode ser capturado em um texto de 1943 escrito por Spinks[xl] já citado na dissertação. A seguir, segue o relatório das forças de ocupação na qual objetiva as artes marciais. Os sublinhados são meus. (SCAP Report: Political Reorientation of Japan, September 1945 to September 1948; Report. Contributors: Supreme Commander for the Allied Powers. Government Section- Publisher: U.S. Govt. Print. Off., Washington, DC. 1949 in BENETTI: 2004, P. 11-12):

“With the gradual ascendancy of the military as the dominant controlling factor in Japanese politics culminating in the appointment of Tōjō as Prime Minister in 1941, the Butokukai increasingly became a means of inculcating the militaristic spirit among the masses of Japan. Ashida Hitoshi, who as Welfare Minister in the Yoshida cabinet, was interviewed concerning this society stated: ‘With the ascendancy of the Konoye regime in 1939, there was a tendency to amalgamate the society with the Tennō [emperor] Rule System, but not until after the outbreak of the war did the organization come under the control of the government. Premier Tōjō automatically became the national president, who directed the activities. The organization was transformed for military purposes. Juken-jitsu (bayonet practice) and shageki (rifle marksmanship) were included in the program.’ Going further into the wartime activities of the Butokukai, Watanabe Toshio, post-surrender business manager, stated that: ‘The organization was placed under the influence of five Ministries: Home Affairs, Education, Welfare, Army and Navy. A subsidy was granted by the government to the society for additional operating expenses. Militant nationalism was stressed. The March 1941 statistics revealed a total membership of 3,178,000.’”

E o relatório segue:

“Following the surrender, officials of the Dai Nippon Butokukai, possibly fearing that the Occupation authorities would order them to dissolve, reorganized to their pre-1942 status. This step was taken by the society to cover up its war-time record and to continue its activities under the camouflage of democratic reorganization. The reorganization which took place was superficial and designed to replace those officials who had been apprehended as war criminals, or who, having fallen under the purge directive, might discredit the society in the eyes of the Occupation were they to remain at their posts. The Assistant Chief of Staff, G-2, in recommending dissolution of the organization stated: ‘The official purpose of the organization has not been changed, so far as its charter reveals, and this is to promote military arts and to contribute to the training of the people’. Shimura Hisaku, prominent Butokukai leader in Ibaragi, said at this time: ‘We wish to introduce to the general public the real nature of military arts by continuous meetings in various places, and to propagandize the reason why we should absorb the real spirit of military arts in order to rebuild a peaceful Japan. We want to have the people acknowledge that the military arts are obviously not the tools for war, but for peace, and are really the national arts of Japan.’ The contradiction inherent in such rationalization should have been obvious but the Japanese Government hesitated to add the Butokukai to the list of proscribed organizations since to do so would render its officials subject to the purge.”

“On the basis of such facts as these, the Assistant Chief of Staff, G-2, recommended in a memorandum to the Chief of Staff that: ‘Dissolution of Dai Nippon Butokukai by order to the Imperial Japanese Government is recommended in accordance with the provisions of SCAPIN 548, paragraph 1 f, on the grounds that this is an organization affording military or quasi-military training and which provides for the perpetuation of militarism or a martial spirit in Japan’ Paragraph 1 f of SCAPIN 548 states: ‘You will prohibit the formation of any political party, association, society, or other organization and any activity on the part of any of them or of any individual or group whose purpose, or the effect of whose activity is affording military or quasi-military training.’ Pursuant to this memorandum, the Japanese Government was orally instructed to add the Dai Nippon Butokukai to the list of organizations in appendix A of SCAPIN 548 and to dissolve the organization together with all its branches and any organizations which it controlled or with which it was affiliated. It is interesting to note that in 1943 the Attorney General’s Office of the United States Government listed the branches of the Butokukai existing in America among a group of subversive organizations which also included that notorious arm of politics by terrorism, the Kokuryū Kai or Black Dragon Society.”

Não surpreende que a Butokukai fosse dissolvida pelo comando de ocupação. Porém, o notório é a clareza de propósito das alegações dos dirigentes da Butokukai. O objetivo era o de instilar o espírito de guerra, mesmo sendo um período de paz forçada; o que é isso senão uma perspectivação da hierarquia de diferencial? Conhecer ‘outrem’ mediante seu escalonamento progressivo. Em suma, capturar a ampla diferença, traçando novas diferenciações em níveis moleculares, fornecendo uma imagem-referência englobante a outrem, quando na verdade se engloba e hierarquiza outrem em seu próprio platô de imanência. Uma diplomacia gerencial de espiritualidades.

No pós-guerra por alguns poucos anos o Kendo fora silenciado. Indubitavelmente os treinos seguiam em segredo, mas oficialmente as artes do budô foram proibidas. Ainda sim, em Novembro de 1948 demonstrações de Kendo foram feitas em Tokyo. Em 1949, grêmios estudantis pululavam para que o Kendo fosse revivido como “esporte” o que era plano possível para ‘mascarar’ o devir militar-guerreiro de tais práticas, privilegiando o aspecto competitivo em detrimento de seu aspecto ‘marcial’. Ora, essa estratégia foi bem aceita – a lógica da ‘competição’ era mais palpável aos estadunidenses. Em suma, os japoneses antropofagicamente entenderam com quem e como lidar em sua própria lógica.[xli]

Com a formulação do “novo esporte”, a All Japan Shinai Kyōgi Federation foi inaugurada em 1950 e esta organização continuou a propagar e refinar as regras e metodologia. Em 1952, foi concedida uma autorização para ser um curso eletivo em escolas médias e universidades. No mesmo ano, a All Japan Kendo Federation foi formada e o Kendo convencional foi mais uma vez permitido, contanto que mantivesse os objetivos-práticas-ênfases do ante-guerra distantes. Em outras palavras, que as técnicas fossem menos violentas[xlii] e que a doutrinação objetivasse ‘critérios esportivos’, não ‘guerreiros’. Pobre ingenuidade estadunidense…

Por algum tempo a Shinai Kyogi e o Kendo co-existiram, porém, havia oposição entre as duas instituições, pois uma tomava como objetivo de prática o “esporte” e a outra centrara o foco na atualização do “espírito japonês”. Não é necessário dizer qual delas se alastrou de forma inequívoca. Em 1957 a All Japan Shinai kyōgi foi combinada com a All Japan Kendo Federation tornando-se a “gakko Kendo”. A partir disso, a All Japan Shinai Kyōgi foi dissolvida. Seguindo a inauguração da Federação Japonesa de Kendo em 1952, o primeiro campeonato japonês ocorreu em 1953.

No ano de 1964 o Judô fora incluído nos jogos olímpicos de Tokyo. Tendo o sucesso dessa iniciativa em vista, a Nippon Budo Kan foi construída no centro de Tokyo e o Kendo, Kyudo[xliii] e Sumo foram apresentados como manifestações ‘desportivas’ no evento despertando o interesse internacional.  Esta exposição do Kendo culminou com a formação da Federação Internacional de Kendo em 1970. A Federação foi criada a princípio com 17 países[xliv] em Tokyo com os objetivos de se cultivar a “boa vontade” através da propagação internacional do Kendo, incluindo o Iaido e o Jodo[xlv]. A FIK é responsável por assegurar a realização dos campeonatos mundiais a cada três anos desde sua fundação, possibilitar seminários e visitas internacionais, fornecer assistência no desenvolvimento da infraestrutura de associações em outros países[xlvi] e troca de informações. Sobre isso, ver o site da FIK no qual se têm documentado as ações dessa instituição e ver sua ‘constituição’, igualmente em seu site.

O Kendo teve crescimento surpreendente em termos de números internacionais da década de 1970, quando se capilarizou ao mundo tendo 17 países em sua fundação, à década de 1990-2000 com mais de 40 países filiados em todos os continentes (OZAWA&YAMAGUCHI: 1997, P.164-171). Por exemplo, o penúltimo mundial (13º WKC- Taipei, China) ocorrido em 2006 contou com 44 países participantes (YAMAMOTO: 2008, P. 13) e o último, ocorrido em São Bernardo do Campo [SP] [14º WKC], contou com 39 países participantes[xlvii]. Este ‘crescendo continuo’ ocasionou debates, em particular a questão de tomar o Kendo [e outras artes do Budo] como ‘objeto cultural tradicional’ – em relação ao modo de vida samurai – ou considerá-lo[s] como ‘esporte’ (OZAWA&YAMAGUCHI: 1997); (MISHIMA: 1986, que não trata especificamente do Kendo, mas é um relato-vida do Japão no Pós-Guerra e da “degeneração do Caminho do Samurai”); (SASAMORI&WARNER: 1989);  (DONOHUE et al: 1999:); (CRAIG: 2005); (TOKESHI: 2003); (BENETTI:2004); (KOBAYASHI: 2005).

Alguns pontos elencados no debate foram ocasionados pelo crescimento do aspecto competitivo em detrimento da vivência do ‘caminho’; sua utilização em escolas, universidades e outras instituições sem as devidas conexões-reflexões historiográficas e também a apropriação do Kendo [Budo] por sociológicas outras, em especial países sem tradição de contato com o Japão [e suas antropológicas]. Não obstante, há defensores em todos os vetores e linhas, mas um fato é relativamente unânime: o Kendo é visto como uma forma de moldar e desenvolver o “caráter do homem”. E a All Japan Kendo Federation [ZNKR] tem enorme responsabilidade na divulgação e ensino dessa modalidade de caminho-prática. Com tal propósito, esta instituição decidiu veicular um texto apresentando os “objetivos ideais” de sua condução, em 1975:

The Concept of Kendo

The concept of Kendo is to discipline the human character through the application of the principles of the Katana (Japanese sword).

The purpose of practicing Kendo is:

To mold the mind and body,

To cultivate a vigorous spirit,

And through correct and rigid training,

To strive for improvement in the art of Kendo,

To hold in esteem human courtesy and honor,

To associate with others with sincerity,

And to forever pursue the cultivation of oneself.

This will make one be able:

To love his/her country and society,

To contribute to the development of culture

And to promote peace and prosperity among all peoples.[xlviii]

Atualmente a discussão foca a entrada do Kendo nos jogos olímpicos, conforme pude notar enquanto coletava dados no último Mundial. Porém, há defensores e opositores a tal idéia e sem vias de acordo entre as duas vertentes, pois o ponto de desacordo é o que acontecerá com o Kendo a partir de uma lógica centrada na competição e no rendimento financeiro.

Aguardem informações sobre o Kendo no Brasil

Por favor, citar Lourenção, Gil Vicente, 2010, p.241-259: Identidades, praticas e moralidades transnacionais: etnografia da Esgrima Japonesa no Brasil. Dissertação de mestrado em Antropologia Social, UFSCar, São Carlos, SP, Brasil.


[i] http://www.Kendo-fik.org/ [acesso em Novembro de 2008].

[ii] Entre as referências: http://www.Kendo-usa.orghttp://www.Kendo-world.com/downloads.php?downloads%5Bop%5D=download&downloads%5Bid%5D=3a;

[iii] Período Sengoku (1573-1576): a tradução Sengoku é ‘país em guerra’. Foi um período de conflitos de ampla escala, com poder difuso e acéfalo. Dois fatos marcantes ocorreram nesses três anos: a introdução no Japão das armas de fogo pelos portugueses e do Cristianismo pelos jesuítas espanhóis.

[iv] O importante a ser notado é que a “função social” do samurai era produzir a morte. O samurai é um guerreiro contratado e pago por uma dada quantia anual de arroz que tinha por papel servir ao senhor que lhe tutelava. Em suma, cada senhor tinha um contingente de guerreiros que lhe permitia guarnecer e fornecer a segurança dos domínios. Nesse sentido, o campo de especialidades de um guerreiro possuía como produto inevitável a confecção da morte de outrem. Quando não era possível estabelecer tal inequação, produzia-se a morte de si, em um suicídio ritualizado chamado de Seppuku, que tinha por intenção zerar o débito criado com o superior hierárquico, de forma a não implicar tal débito à familia (TURNBULL, 2006: P.71-95). Mas o importante não é a função que o samurai cumpre em tal contexto, e sim o que significa uma socialidade pautada no devir máximo da morte, na qual todas as inflexões são corolários.

[v] Bogu: é a armadura utilizada nos treinamentos; compõe-se de quatro partes elementares, o capacete [men], o kote [luvas], tare [saia reforçada de pano ou couro até a altura dos joelhos] e do [protetor do abdômen]; o Shinai é a espada de bambu; sobre isso, ver primeiro capítulo da dissertação e anexo “Admirável Kendo”.

[vi] Depois da batalha de Sekigahara [1600] cálculos estimavam a destituição de cerca de 120.000 samurai de suas funções. O shogunato Tokugawa confiscou feudos que respondiam pela colheita de 6.600.000 koku, ou seja, 33 milhões de alqueires de arroz, cada alqueire correspondendo a 180 litros do cereal. Encerrado o confisco, é verdade que alguns daimyo conseguiram permissão para restaurar seus feudos. Mesmo com essa subtração, ainda restavam oitenta daimyo proscritos, cujas terras somadas respondiam pela produção de vinte milhões de alqueires de arroz. Calculando-se que cada cem koku confiscados tenham dado origem a três rounin [samurai sem senhor], dizia-se que os rounin surgidos nas diversas províncias somados ao número de seus familiares e pessoal dos feudos de origem, totalizavam no mínimo 100 mil pessoas, em uma população estimada para a época de 25 milhões de pessoas. Fonte: Eiji Yoshikawa (1999, P. 232) e “História viva – Japão: 500 anos de História, 100 anos de imigração” (2008).

[vii]Disponível no site:  www.daikonforge.com/downloads/TheUnfetteredMind.pdf

[viii] (http://www.geocities.com/colosseum/sideline/7756/Kendo02.htm; acesso em Novembro de 2008).

Período Azuchi-Momoyama (1576-1615): início dos esforços de reunificação do Japão. Oda Nobunaga reconquista a capital com o apoio dos jesuítas (em troca, Nobunaga permite a construção de igrejas e a divulgação do Cristianismo). De personalidade extremamente agressiva, Nobunaga prossegue em suas conquistas, mas é morto por um de seus próprios comandantes, antes de concluir seu intuito. Após o assassinato de Oda Nobunaga, seu vassalo Toyotomi Hideyoshi termina a conquista do território japonês, consolidando-se com base no desarmamento do povo e no levantamento das terras produtivas.  Além de excelente militar, Toyotomi Hideyoshi foi exímio estadista; sem origem nobre, conseguiu se projetar hierarquicamente, provando que o ‘valor’ pode sobrepujar a consangüinidade na condução de um Estado. O filho de Toyotomi Hideyoshi sobe ao poder após a morte do pai, porém, Tokugawa Ieyassu, um de seus colaboradores, toma-lhe o posto. É nessa época que viveu o famoso samurai Miyamoto Musashi.

Período Edo (1615-1868): este período de quase 300 anos foi regido pelas bases estabelecidas por Tokugawa Ieyassu, que ergueu seu governo em Edo (atual Tokyo), assumiu o título de Shogun (‘Generalíssimo’), determinou normas rigorosas para vassalos e lavradores, baniu o Cristianismo e fechou os portos para estrangeiros. Foi nesse período que a população foi dividida em quatro quase-castas: samurais, lavradores, artesãos e comerciantes. No início da Era Edo, os samurais eram o grupamento dominante, possuíam regalias advindas de sua disposição à morte e seguiam o código de honra denominado Bushido. O termo “casta” abre um precedente analítico interessante no caso japonês pois se trata de um sistema criado por decreto e referendado pelo ‘sagrado’. No período Tokugawa [1603-1868] houve uma distinção clara entre quatro platôs sociais: Realeza [sagrada], daimio e samurai [guerreiros- somente eles podiam portar armas e as duas espadas], agricultores e comerciantes. Os comerciantes foram tomados como parias no sistema hierárquico japonês.

[ix] “História viva – Japão: 500 anos de História, 100 anos de imigração” (2008)

[x] Joel V. Berreman: “The Japanization of Far Eastern Occupied Areas” Pacific Affairs, Vol. 17, No. 2. (Jun., 1944), pp. 168-180. Stable URL: http://links.jstor.org/sici?sici=0030-851X%28194406%2917%3A2%3C168%3ATJOFEO%3E2.0.CO%3B2-Q

[xi] Há tantos “Japões” quando possível – e passíveis – de atualização. Evidentemente não concordamos com a individuação do território, pois há diferenças infinitas entre as diversas regiões, dialetos, modos-técnicas de manufatura e fabricação de utensílios, objetos e diferentes ‘modos de vida’ mais ou menos atualizáveis, conforme argumentamos na dissertação. Ainda assim, falemos de “Japão”para facilidades conceituais tradicionais, meramente indicativas.

[xii] Tanto os portugueses quanto os holandeses foram determinantes no crescimento de Oda Nobunaga no final do século XVI em razão de fornecimento de canhões e armas de fogo. Não obstante, seu uso era restrito a divisões nas formações militares japonesas e com a expulsão dos ‘cristãos’ empreendida por Tokugawa no Séc. XVII, e por ser essa tecnologia associada aos “Bárbaros do Sul” (TURNBULL: 2006), acabou por ter difusão restrita.

[xiii] Baron Takaharu Mitsui : “The System of Communications at the Time of the Meiji Restoration”

Monumenta Nipponica, Vol. 4, No. 1. (Jan., 1941), pp. 88-101. Stable URL: http://links.jstor.org/sici?sici=0027-0741%28194101%294%3A1%3C88%3ATSOCAT%3E2.0.CO%3B2-Y

[xiv] Ken: espada, Jutsu : técnica, modo.

[xv] Guttman, A. Thompson L. “Japanese Sports: A History”, University of Hawaii Press, 2001.

[xvi] file:///C|/GerDocs/Kendo/history.txt (1 of 14) (30/04/2005 16:31:31)

[xvii] Os guerreiros vinham perdendo seus benefícios a pelo menos dois séculos. Benefícios especiais: cota anual de arroz e terras. Muitos tem suas terras confiscadas no período posterior à Batalha de Sekigahara; em suma, todo o edifício criado e que sustentava o poder de Tokugawa rui de fato no Séc. XIX.

[xviii] O Haitôrei [edito de abolição das espadas] foi promulgado em 28 de Março de 1876 e proibia o porte das duas espadas- o que era prerrogativa dos samurai desde o final do Século XVI.

[xix] Gekiken ou gekken: ataque, kōgyō: performance.

[xx] Técnicas-artes marciais do guerreiro japonês.

[xxi] Muitos dos expoentes de alta graduação existentes no Japão atualmente possuem alguma conexão com a polícia. O professor Jogi Sato do Bunkyo [7º Dan] passou por um período de treinamentos com a policia metropolitana de Tokyo há alguns anos. Atualmente o professor Sato é Agente da Policia Federal brasileira. Lembremos também que o técnico da Seleção Norte Americana de Kendo que venceu a seleção japonesa no mundial de 2006 participou intensamente de treinamentos junto à polícia de Tokyo (YANG: Kendo Nippon, março de 2007).

[xxii] Guerra ‘Seinan’- tida pelos historiadores anglofonos como a rebelião de Satsuma. Com a morte de Saigo Takamori teve fim o último ato de resistência militar organizada em oposição às medidas de modernização propostas pelo governo do Japão. As motivações para o conflito são variadas e passou para a historiografia européia como um ato de resistência contra a “modernização” (TURNBULL: 2006, P.191-205)

[xxiii] “Revivendo o Kenjutsu”. (Opus cit BENETTI: 2004, P.4)

[xxiv] Torneio de artes marciais da Policia.

[xxv] Estilo-escola da Polícia.

[xxvi] Lembremos que este é o período da Guerra Sino-Japonesa 1894-95.

[xxvii] “Sociedade da Grande Virtude Marcial do Império do Japão”.

[xxviii] “Caminho do guerreiro.”

[xxix] “Escola da Virtude marcial”.

[xxx] “Escola de Especialistas em Bujutsu

[xxxi] “Escola Normal Superior de Tóquio”.

[xxxii] Journal of Combative Sport: Dec. 2002: http://ejmas.com/jcs/jcsart_svinth_1202.htm, [Acesso em Junho de 2008].

[xxxiii] Bokuto: espada de madeira e Naginata: lança com espada na extremidade.

[xxxiv] Respectivamente Ten: Céu, Chi: Terra e Jin: Homem. (BENETTI: 2004, P.9)

[xxxv] Escola.

[xxxvi] Negishi Shingorō, Tsuji Shimpei, Naitō Takaharu, Monna Tadashi, e Takano Sasaburō.

[xxxvii] “Formas padrão do Caminho da Espada do Grande Império Japonês.”

[xxxviii] Tachi: Espada longa e Kodachi, Espada curta.

[xxxix] “Formas-padrão do Caminho da Espada Japonesa”. Claro que esta posição não é tão unânime. Em específico, ver William Bodiford, Department of East Asian Languages, UCLA, E-Budo.com, Text 7.

[xl] SPINKS, Charles Nelson – Indoctrination and Re-Education of Japan’s Youth. Pacific Affairs, Vol. 17, No. 1. (Mar., 1944), pp. 56-70.  URL:http://links.jstor.org/sici?sici=0030-851X%28194403%2917%3A1%3C56%3AIAROJY%3E2.0.CO%3B2-V

[xli] Em relação a isso, na entrevista que realizei com o professor Kimura, disse-me do aspecto combativo do Kendo quando praticava no Japão nos anos de 1920. No começo do século, eram utilizados socos, rasteiras e outros artifícios que foram banidos do Kendo. Quando ele ainda estava no Japão na década de 20, essas técnicas eram utilizadas. Mas a ênfase no ‘espirito’ permanece…

[xlii] As técnicas-modalidades foram alteradas, porém os objetivos em torno do “espírito japonês” não foram sequer mencionados. A ênfase no ‘espírito’ continua intocada.

[xliii] Pratica do tiro com arco.

[xliv] FIK: http://www.Kendo-fik.org/ ; http://www.Kendo-fik.org/english-page/english-page2/IKF-affiliates/

[xlv] Iaido: caminho do desembainhar-reembainhar a espada e jodo: caminho do bastão.

[xlvi] A FIK faz doações de equipamentos para a prática do Kendo a diversas academias ao redor do mundo.

[xlvii] http://www.14wkc.com.br/site/14%c2%b0-wkc-world-Kendo-championships/ [Agosto de 2009].

[xlviii] Site FIK [Novembro 2008]: http://www.Kendo-fik.org/english-page/english-page2/concept-of-Kendo.htm


03/09/2010 – Bokuto ni yoru Kendo kihon waza keiko ho

Formato geral

Postura similar ao Kendo kata, com uma diferença de terminologia; no Kendo kata temos o Uchidachi e Shidachi e no Keiko ho os termos equivalentes são motodachi e kakarite.

Motodachi e Kakarite são separados por nove passos. Assim como no Kendo kata ambos avançam três passos e se encontram no issoku itto no maai, em seguida efetuam gedan no kamae, e se separam com 5 passos curtos, juntando os pés em posição de base conhecida no Kendo [pés paralelos, o esquerdo atrás do direito].

Postura de inicio

Chudan no kamae.

Olhos: Mantê-los fixos no oponente.

Movimento dos pés: Okuriashi e golpe com Suriashi.

Entonação: Kakarite diz os nomes dos golpes, com entonação com kakegoe alto: Kote, Men, Do e Tsuki nos momentos apropriados.

Zanshin: após cada ataque, kakarite realiza um pequeno passo e se afasta em zanshin em chudan no kamae.

Bokuto ni yoru Kendo kihon waza keiko ho

Kihon 1: Men, Kote, Do, Tsuki

Motodachi: Abre o kisaki para a direita.

Kakarite: avança para acertar o Men na posição de chudan no kamae. Após o golpe, efetua um pequeno passo em zanshin e outro passo para retornar à posição de inicio.

Motodachi: Abre o kisaki para cima.

Kakarite: avança para acertar o Kote. Após o golpe, efetua um pequeno passo em zanshin e outro passo para retornar à posição de inicio.

Motodachi: abre levantando o bokuto acima da linha dos olhos.

Kakarite: avança para atacar o Do. Após o golpe, efetua um pequeno passo em zanshin e outro passo para retornar à posição de inicio.

Motodachi: Abre o kisaki para a direita.

Kakarite: avança para acertar o Tsuki na posição de chudan no kamae. Após o golpe, efetua um pequeno passo em zanshin e outro passo para retornar à posição de inicio.

Motodachi: No avanço do Tsuki o motodachi recua um passo.

Kakarite: Toma um pequeno passo para trás e outro passo para retorno à posição original.

Motodachi retorna à posição original no segundo passo do kakarite.

Kihon 2: Renzoku Waza – Kote Men

Motodachi: abre o kisaki em primeiro para direita e para cima e após a batida no Kote, muda o kisaki para a esquerda com um passo para trás.

Kakarite: avança em chudan no kamae em direção ao Kote e em seguida avança para o Men. Após os golpes toma um pequeno passo para trás em zanshin e mais dois passos para voltar a posição original.

Motodachi: aguarda o primeiro passo de retorno do kakarite e acompanha-o até a retomada do ponto inicial.

Kihon 3: Harai Waza – Harai Men

Kakarite inicia com um passo para executar o harai Men. Depois toma um pequeno passo de volta em zanshin e depois retorna à posição original.

Kihon 4: Hiki Waza – Hiki Do from Tsubazeriai

Kakarite avança para o men.

Motodachi bloqueia o Men com um Men. Ambos ficam em tsubazeriai.

Kakarite empurra para baixo e o Motodashi reage com os braços para cima.

Kakarite toma um passo para trás e golpeia o Do, recuando em zanshin.

Ambos tomam um passo para trás e assumem chudan no kamae.

Kihon 5: Nuki Waza – Men Nuki Do

Motodachi avança para o Men.

Kakarite avança e segue em diagonal para aplicar o nuki-Do, mantendo os olhos no adversário durante todo o kata. Após a aplicação do golpe, kakarite volta-se para motodachi. Ambos ficam em chudan no kamae. Kakarite fica em zanshin e ambos retornam às posições originais..

Kihon 6: Suriage Waza – Kote Suriage Men

Motodachi avança para acertar o kote.

Kakarite recua para aplicar suriage e imediatamente avança para acertar o Men. Após efetua-se zanshin e ambos retornam à posição original.

Kihon 7: Debana Waza – Debana Kote

Motodachi mostra intenção de avançar para o Men, mas não se move.

Kakarite imediatamente avança para o Kote. Após, ambos efetuam zanshin e voltam à posição original.

Kihon 8: Kaeshi Waza – Men Kaeshi Do

Motodachi avança para atacar o Men.

Kakarite bloqueia o golpe em kaeshi e aplica golpe no Do. Importante manter os olhos no adversário. Após o golpe, kakarite volta-se e fica com o corpo defronte ao motodachi. Ambos efetuam um passo para trás e mantém o chudan no kamae. Kakarite efetua zanshin e ambos retornam às posições originais.

Kihon 9: Uchi Otoshi Waza – Do Uchi Otoshi Men

Motodachi avança para aplicar golpe no Do.

Kakarite efetua um passo para a esquerda e usando o monouchi corta para baixo o bokuto do motodachi e avança um passo em direção ao Men do adversário.

Ambos dão um passo e mantém o chudan no kamae. Kakarite efetua zanshin e ocorre o retorno às posições originais.

Após terminar as nove variações, ambos efetuam sonkyo, osameto e dão cinco passos para trás. O Reiho é igual ao Kendo Nihon Kata.

09/2010- Duas espadas. O video abaixo apresenta um estudo das formas do nito – também chamado de niten, ‘dois céus’ichi ryu [duas espadas, um estilo]. Interessante pois neste kata o uchidachi fica com as três espadas e quando as deposita ao chão a forma é o kanji de hito [pessoa]:

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3 comments

  1. Blog muito legal e bem estruturado. Espero que continue atualizando este espetacular assunto que é o Kendo. Parabéns!

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